HISTÓRIA

O final do século 20 e início do atual, principalmente entre as décadas de 1990 e 2000, foram marcados por um grande salto na produção científica brasileira, com um aumento expressivo no número de publicações científicas anuais, acompanhado do reconhecimento internacional de um crescente número de instituições e pesquisadores brasileiros. Entretanto, apesar desse importante avanço, o desenvolvimento de novos produtos e aplicações tecnológicas e, consequentemente, o processo de inovação, não têm caminhado a mesma velocidade. Assim, mesmo com a geração de conhecimento, o Brasil é um país que tradicionalmente depende da importação de insumos de alta tecnologia.

Nesse contexto, visando impulsionar o Brasil a  tornar-se um país competitivo na área de tecnologias baseadas em nanomateriais, nasceu em Belo Horizonte o CTNano – Centro de Tecnologia em Nanomateriais e Grafeno. Inicialmente coordenado pelos professores Marcos Pimenta, do Departamento de Física, e Glaura Goulart Silva, do Departamento de Química, o CTNano teve sua origem em um projeto da UFMG desenvolvido em parceria com o Funtec (Fundo Tecnológico do BNDES) e com apoio do estado de Minas Gerais e do BH-Tec.

O centro de inovação foi idealizado para estabelecer um canal de conexão entre a universidade e a indústria a partir de seis principais frentes de trabalho: A produção em escala industrial de nanotubos de carbono para a aplicação em produtos de alta tecnologia;  Produção de Nanocompósitos poliméricos com nanotubos de carbono; desenvolvimento de cimento nanoestruturado; Impacto das nanotecnologias na saúde e meio ambiente; Sensores, dispositivos e materiais para a geração de energias renováveis e o Revestimento anticorrosivo de superfícies metálicas . Quando ainda em fase de incubação, o centro foi estabelecido em um instalação provisória no Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BH-TEC).

Hoje, com o sucesso em atuar como um catalizador na relação academia/ setor empresal, mostrando o grande potencial de inovação proveniente da sinergia entre geração de conhecimento em ciências básicas e a produção de novas aplicações e tecnologias, o CTNano funciona em um prédio próprio com área total de 3.000 m2 no próprio BH-TEC. A estrutura física comporta mais de 10 laboratórios que dão suporte para as pesquisas aplicadas, com demandas da indústria, o que inclui desenvolvimentos em escala piloto de produção.

Contando com um grande parque de equipamentos para produção e caracterização de diversos tipos de nanomateriais e materiais nanoestruturas, o centro possui parcerias com empresas de diferentes setores, tanto no desenvolvimento de projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) como na prestação de serviços. Entre os diversos parceiros, podemos citar a Petrobrás, Vale, BNDES, Suzano, Intercement e a Bravo Motors Company Brasil.

Ao longo de seus mais de 10 anos de existência, o CTNano, atualmente coordenado pelos professores Glaura Goulart Silva e Rodrigo Gribel Lacerda, possui mais de 25 patentes, 38 publicações, mais de 20 projetos de P&D&I e de prestações de serviços, além de contar com mais de 90 colaboradores que, juntos já formaram aproximadamente 200 pesquisadores. O CTNano é pioneiro na síntese de nanotubos de carbono  no Brasil e sua equipe abrange especialistas em diferentes áreas de conhecimento, como física, química, biologia e engenharias. Além de pesquisas consolidadas com sucesso na produção em escala laboratorial, na caracterização e no processo de NTCs em polímeros e cimentos, o centro possui grande experiência na interação com o setor industrial, na orientação de aplicações e plantas-piloto de nanomateriais de carbono.

O sucesso dessa iniciativa inovadora, que se encontra em constante processo de desenvolvimento e expansão, deve-se, sobretudo, à visão de seus idealizadores e coordenadores, à qualificação de suas equipes de pesquisadores – hoje são 17 professores pesquisadores da UFMG, além de pós-doutorandos e estudantes de mestrado, doutorado e iniciação científica-  suas equipes técnicas e administrativas, e à crescente demanda do setor industrial e da sociedade por soluções inovadoras. 

CTNano – Infaestrutura inicial.

CTNano – Infraestrutura atual desde 2018.